Florada do café: veja quais são os principais fatores de interferência

Publicado em 28 abril, 2025

florada do café está diretamente relacionada com a produção da planta. Diversos fatores como doenças, fotoperíodo, temperatura, disponibilidade hídrica e balanço hormonal interferem na florada.

Estar atento a esses fatores que interferem no florescimento é essencial para garantir boa produtividade das lavouras.

A florada do café

O florescimento do cafeeiro tem algumas particularidades, as flores são formadas a partir de gemas florais localizadas nas axilas foliares.

Em cada nó dos ramos plagiotrópicos (laterais) existem várias gemas, que podem se diferenciar em estruturas vegetativas, formando assim outros ramos ou em estruturas reprodutivas, formando as flores.

Diferenciação da gema em estrutura vegetativa (ramo secundário) e estrutura reprodutiva (flor).

Diferenciação da gema em estrutura vegetativa (ramo secundário) e estrutura reprodutiva (flor). Foto: Isaías dos Santos

Calendário agrícola do cafeicultor

Ciclo fenológico do cafeeiro

ciclo fenológico do cafeeiro leva dois anos para ser concluído. Durante o primeiro ano, ocorre a fase de vegetação e formação das gemas foliares, que se desenvolve entre os meses de setembro e março, período em que o fotoperíodo ultrapassa 13 horas de luz.

Esquematização das seis fases fenológicas do cafeeiro arábica

Esquematização das seis fases fenológicas do cafeeiro arábica, durante 24 meses, nas condições climáticas tropicais do Brasil. Fonte: Camargo e Camargo (2001). 

Ainda no primeiro ano, quando os dias são mais curtos, ocorre a 2ª fase, que consiste na indução, maturação e dormência das gemas florais, é nessa fase que dura entre abril e agosto que ocorre a indução das gemas foliares formadas na primeira fase, para se tornarem gemas florais.

Vários fatores influenciam na indução e diferenciação floral do cafeeiro, como fotoperíodo, temperatura, disponibilidade hídrica e balanço hormonal.

No fim da segunda fase, entre julho e agosto, o cafeeiro entra em repouso e emite um ou dois pares de folhas pequenas, separando os anos fenológicos.

Dois pares de folhas pequenas, separando os anos fenológicos do cafeeiro arábica

Dois pares de folhas pequenas, separando os anos fenológicos do cafeeiro arábica. Foto: Isaías dos Santos

A 3ª fase inicia-se com a florada, normalmente ocorre de setembro a novembro, quando os botões florais diferenciados, após passarem por um período de dormência tornam-se sensíveis ou fisiologicamente maduros e reagem aos estímulos externos desencadeadores de um rápido crescimento, que dura cerca de 10 dias, a depender da temperatura, levando à abertura das flores (antese), finalizando o processo de floração.

Em condições naturais, as floradas são induzidas pelas primeiras chuvas, após um período de seca. 

Cafeeiro arábica após a aberturas das flores

Cafeeiro arábica após a aberturas das flores. Foto: Isaías dos santos. 

Como foi citado anteriormente as gemas florais passam por várias fases até acontecer o florescimento, que de forma didática pode ser dividida nas seguintes etapas:

  • Indução e iniciação (G1).
  • Diferenciação (G2).
  • Crescimento/desenvolvimento (G3 e G4).
  • Latência (G5).
  • Antese (G6).
Estágios do desenvolvimento floral do cafeeiro arábica

Estágios do desenvolvimento floral do cafeeiro arábica. Fonte: Lopez et al (2021). 

Fatores que interferem na florada do café

Temperatura e umidade

Condições extremas de seca e temperaturas altas durante o período de vegetação e formação das gemas foliares (setembro a março), pode afetar o desenvolvimento das gemas e consequentemente a produção do ano seguinte.

Essas mesmas condições de seca e temperaturas altas na fase do florescimento, interferem na formação das estruturas reprodutivas, podendo ocasionar abortamento das flores e flor estrelinha (mal formada).

Alta temperatura prejudicando o desenvolvimento adequado da flor do cafeeiro

Alta temperatura prejudicando o desenvolvimento adequado da flor do cafeeiro. Esquerda: flor desidratada. Direita: flor estrelinha (mal formada). Foto: Diego Baquião / Isaías dos Santos. 

Em lavouras que são irrigadas manter a umidade no solo nos períodos críticos auxilia no bom pegamento da florada e consequentemente no aumento da produtividade.

No trabalho abaixo, pode-se observar diferença significativa de produtividade onde foi realizado a irrigação suplementar, visando manter a reserva no solo em 100 mm.

Produtividade em cafeeiros submetidos ou não a irrigação suplementar no período de indução floral e outros períodos críticos

Produtividade em cafeeiros submetidos ou não a irrigação suplementar no período de indução floral e outros períodos críticos. Fonte: Paiva et al. (2009). 

Nutrição

nutrição adequada durante o período de entressafra é fator fundamental para o desenvolvimento do cafeeiro e consequentemente bom desenvolvimento e pagamento da florada.

Alguns nutrientes como o cálcio e o boro estão ligados diretamente a essa fase, eles atuam na germinação do grão de pólen e crescimento do tubo polínico. Porém é importante ficar atento ao balanço nutricional de todos os elementos, respeitando a lei do mínimo.

É importante ressaltar que os nutrientes cálcio e boro devem ser fornecidos via solo, uma vez que são imóveis via floema, garantindo assim uma boa distribuição nos tecidos vegetais em que são solicitados.

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Manejo fitossanitário

Manter a planta livre de pragas e doenças é importante para garantir um bom enfolhamento da lavoura durante a entressafra, o que auxilia no equilíbrio da relação fonte/dreno, uma vez que a florada tem alta demanda energética da planta e as folhas é a principal fonte de fotoassimilados.

Visando o controle preventivo de doenças que acometem a florada do cafeeiro, é importante se atentar com as pulverizações de pré e/ou pós florada, de acordo com as condições climáticas do ano e da região.

Fatores como umidade relativa, altitude, temperatura, espaçamento e cultivar, interferem diretamente na incidência da doença e podem ajudar no direcionamento do monitoramento. 

Doença de phoma causando seca de ponteiro e mumificação de chumbinhos em cafeeiro arábica

Doença de Phoma causando seca de ponteiro e mumificação de chumbinhos em cafeeiro arábica. Foto: Isaías dos Santos. 

Colheita do café

colheita é outro fator que pode influenciar na florada da planta de café. A mesma quando realizada tarde pode danificar os botões florais ou até mesmo derrubá-los durante a derriça.

Desta forma, o planejamento de colheita deve ser realizado visando encerrar numa data adequada, essa data varia de região para região.

Em regiões em que a colheita se inicia no mês de abril o ideal seria terminá-la no máximo até o final de junho. Já onde se inicia em maio, a data limite seria o final do mês de julho. De qualquer forma é importante ter em mente que quanto mais cedo terminar a colheita melhor.

Frutos secos e botões florais em cafeeiro

Esquerda: frutos secos e botões florais em cafeeiro. Direita: Botões florais no fundo da colhedora de café. Foto: Isaias dos Santos

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Como iniciar a produção de café arábica?

Publicado em 27 abril, 2025

Como iniciar a produção de café arábica?

Produção de café arábica

Antes de implantar uma cultura, deve-se fazer a avaliação da capacidade de uso do solo da propriedade, desta forma é possível utilizar o solo de forma adequada, implantando as culturas mais indicadas conforme os tipos de solos e relevo de cada local.

Além disso, é importante analisar as características edafoclimáticas exigidas pelas culturas e verificar se a propriedade atende a essas exigências.

Condições favoráveis para o desenvolvimento do café arábica

O primeiro passo é avaliar se a propriedade possui condições favoráveis para o desenvolvimento da cultura, alguns pontos importantes são citados nos tópicos abaixo.

Fatores climáticos

Os principais fatores climáticos que influenciam o cultivo do café são a altitude, a temperatura e a precipitação.

A temperatura ideal para o cafeeiro arábica é entre 23 e 24°C, pois é nessa faixa que a fotossíntese é mais eficiente. Quando a temperatura ultrapassa esse intervalo, a eficiência da fotossíntese começa a diminuir, e acima de 34°C, a fotossíntese torna-se nula.

A altitude está diretamente relacionada à temperatura; a cada 100 metros de elevação, a temperatura diminui cerca de 0,7°C. Para o cultivo do cafeeiro arábica, recomenda-se o plantio em regiões com altitudes entre 600 e 1.200 metros.

Aptidão térmica para a cultura do cafeeiro arábica.

Aptidão térmica para a cultura do cafeeiro arábica. Fonte: Matiello et al. (2020)

Além de avaliar a temperatura média anual e a altitude, é importante ficar atento com as áreas que acumulam ar frio. Essas regiões têm um risco maior de ocorrência de geada e, mesmo na ausência desse fenômeno, o cafeeiro pode ser prejudicado pelo frio, apresentando vegetação excessiva e baixa produtividade.

Quanto à necessidade de água, regiões que possuem chuvas acima de 1.200 mm anuais, são consideradas aptas para o cultivo no sequeiro.

No entanto, é importante que as chuvas sejam bem distribuídas ao longo do ano. Deficiências hídricas superiores a 150 mm, podem prejudicar o desenvolvimento e a produtividade do cafeeiro.

Aptidão hídrica para a cultura do cafeeiro arábica.

Aptidão hídrica para a cultura do cafeeiro arábica. Fonte: Matiello et al. (2020)

É importante destacar que fatores como o manejo da lavoura, o teor de matéria orgânica no solo, a textura, a profundidade do solo, a cultivar utilizada, entre outros, podem atenuar os efeitos da deficiência hídrica.

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Solo

Para um bom desenvolvimento do cafeeiro o solo deve apresentar boas características físicas, químicas e biológicas.

O solo deve oferecer condições que permitam o desenvolvimento profundo do sistema radicular das plantas. Para isso, é recomendado que tenha pelo menos 1,5 metros de profundidade e esteja livre de obstáculos físicos, como rochas ou compactação.

Caso haja compactação, ela pode ser corrigida por meio da subsolagem.

É importante realizar a análise química do solo para determinar as correções necessárias. A aplicação de doses adequadas de corretivos e fertilizantes, junto com um preparo de solo bem feito, é essencial para garantir um bom desenvolvimento das plantas.

Topografia

O relevo pode ser classificado em plano, suave ondulado, ondulado, fortemente ondulado e montanhoso. Ele influencia na escolha da cultivar, no espaçamento, no manejo e na mecanização da lavoura.

É importante considerar que, em áreas com declividade acentuada, onde o cultivo é realizado manualmente, a necessidade de mão de obra aumenta consideravelmente, especialmente durante a colheita.

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Planejamento para a implantação da lavoura

Após confirmar que a propriedade atende às exigências edafoclimáticas do cafeeiro, o próximo passo é planejar o plantio. Abaixo estão alguns tópicos importantes a serem considerados no planejamento.

Análise de solo

A análise deve ser realizada com antecedência, ela é essencial para conhecer os atributos químicos, físicos e biológicos do solo, além de indicar as possíveis correções do mesmo.

Definição da cultivar e espaçamento

Ao escolher uma cultivar, é essencial considerar a longevidade do material e o sistema de cultivo empregado, como manual ou mecanizado, sequeiro ou irrigado, entre outros fatores.

Segue abaixo algumas características importantes que devem ser avaliadas no momento da escolha:

  • Produtividade;
  • Vigor;
  • Porte: porte alto ou porte baixo;
  • Resistência a doenças;
  • Resistência a nematoides;
  • Maturação: precoce, média ou tardia;
  • Adaptação da cultivar na região.

Quanto a escolha do espaçamento, deve-se levar em consideração os tópicos abaixo:

  • Sistema de cultivo: manual ou mecanizado;
  • Modelo de manejo: frequência de poda e desbrota;
  • Escolha da cultivar: porte alto ou baixo;
  • Clima: região com temperatura alta ou amena;
  • Cultivo irrigado ou sequeiro.

O espaçamento afeta o estande de plantas, que, por sua vez, influencia a produtividade. Atualmente, busca-se um estande de 4 a 6 mil plantas por hectare no cultivo mecanizado e de 6 a 10 mil plantas por hectare no cultivo manual.

Os espaçamentos entre ruas variam de 3,2 a 4m, no cultivo mecanizado e de 2 a 3 m, no cultivo manual.

Já os espaçamentos entre as plantas variam de 0,5m a 0,7m.

Encomenda ou produção de mudas

O produtor pode escolher entre comprar mudas ou produzi-las na propriedade. Em ambos os casos, é essencial realizar um bom planejamento.

O primeiro passo é determinar a quantidade de mudas necessárias, o que requer conhecer o tamanho da área de plantio e o espaçamento que será adotado.

Se optar por comprar as mudas, é importante fazer a encomenda com antecedência, entre março e maio. Caso prefira produzi-las, o semeio deve ser realizado entre esses mesmos meses, para que as mudas estejam prontas entre setembro e novembro.

Preparo do solo

O preparo do solo deve ser feito após as últimas chuvas do ano agrícola anterior (de março a abril) ou logo no início do período chuvoso (de setembro a outubro). Quando realizado no início do período chuvoso, essa operação deve ser concluída rapidamente para evitar atrasos no plantio das mudas.

Por se tratar de uma cultura perene, este é o momento ideal para corrigir as camadas profundas do solo. É essencial realizar a subsolagem, se necessário, e incorporar o calcário em profundidades maiores utilizando arado ou grade aradora. Essas práticas garantem condições favoráveis para o aprofundamento do sistema radicular.

No cultivo mecanizado, as mudas são plantadas em sulcos, e no cultivo manual, em covas. Em ambos os métodos, recomenda-se a aplicação de calcário complementar, matéria orgânica e fósforo tanto nos sulcos quanto nas covas.

Plantio do café arábica

O plantio deve ser realizado no início do período chuvoso, que geralmente ocorre entre outubro e novembro. É fundamental selecionar as mudas com cuidado, plantando apenas as que estiverem em boas condições.

A seguir, estão algumas características para avaliar a qualidade das mudas:

  • Estádio de desenvolvimento: 4 a 6 pares de folhas em mudas de 6 meses;
  • Uniformidade das mudas;
  • Mudas sadias: sem doenças (as mais comuns são: rizoctonia, bactérias, cercospora e phoma);
  • Sistema radicular bem desenvolvido: Proporção 1/1, raiz/parte aérea;
  • Substrato firme, com os saquinhos bem cheios;
  • Aclimatação: pleno sol antes do plantio.

Módulo de produção

O tamanho da área a ser implantada impacta os custos e influencia em decisões importantes, como a compra de máquinas e implementos ou terceirização dos serviços, a contratação de funcionários (fixos ou temporários) e a construção de infraestrutura para pós-colheita, como terreiros, secadores e tulhas, ou a escolha pela terceirização desses serviços.

Considerações finais

Antes de iniciar uma lavoura de café, é essencial avaliar se a propriedade atende aos requisitos edafoclimáticos exigidos pela cultura.

Após essa avaliação, é recomendável elaborar um planejamento detalhado para concluir as atividades dentro do prazo estipulado.

Além disso, é importante considerar se vale a pena investir na compra de máquinas e implementos e na construção de estruturas para pós-colheita, ou se seria mais viável terceirizar esses serviços, levando em conta o tamanho da área a ser plantada.

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Secagem do café em terreiro: importância e cuidados durante o processo

Publicado em 16 abril, 2025
Secagem do café em terreiro

A colheita do café é um período extremamente importante nas propriedades cafeeiras, onde o café colhido passará por alguns processos até o benefício.

O café, após a colheita no campo, possui certa umidade, que irá variar de acordo com o estado de maturação sendo necessário fazer sua secagem para que não ocorra fatores que venham a prejudicar a qualidade do produto.

O processo mais comum de secagem é feito em terreiros e secadores. Dentre esses existem vários tipos, sendo mais comuns os de terra, os de concreto e os de lama asfáltica.

Existe também a variação entre secadores verticais e horizontais, podendo ainda ser classificados como pré-secadores e secadores.

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Processo de secagem do café

O café no terreiro será depositado numa superfície que poderá variar de acordo com a propriedade e assim será exposto ao sol para retirar a umidade dos grãos.

O revolvimento do café precisa ser feito a cada hora, movimentando os grãos no sentido em que a incidência da radiação solar tenha a melhor distribuição sobre eles, ou seja, caso essa movimentação seja manual é extremamente importante que a sombra do terreiro esteja à sua frente ou atrás.

Calendário agrícola do cafeicultor

Após alguns dias, os grãos terão perdido um pouco da umidade. Assim, no final do dia é preciso aproveitar a massa quente do café e enleirar no sentido da declividade do terreiro. No dia seguinte, esparramar o café somente quando o orvalho do terreiro já tiver evaporado.

O tempo de secagem poderá variar de 8 até 30 dias de acordo com o tipo de café, terreiro e condições climáticas. Um ponto importante a ser empregado para uma melhor secagem é a separação de lotes a partir da época de colheita, umidade e homogeneidade dos lotes.

Veja a seguir o quadro que considera alguns pontos importantes em função do tipo de terreiro a ser empregado na propriedade:

Tabela com tipos de terreiro para secagem do café

* x: não é recomendado; v: recomendado

https://youtube.com/watch?v=WFsdAls3TQI%3Ffeature%3Doembed

Dimensionamento do terreiro

O dimensionamento do terreiro é um ponto fundamental a ser considerado e pode ser calculado de acordo com a fórmula abaixo:

S = 0,02 x Q.t / n

Onde:

  • S: área do terreiro em m²
  • Q: colheita média anual de café da roça, em Lt
  • t: tempo médio da seca na região em dias
  • n: período de colheita em dias

Exemplo: Para uma propriedade com uma colheita de 1.000 sacas e rendimento de 450 Lt/sc de café beneficiada, teremos 450.000 Lt de café da roça, com 12 dias de média para a completa secagem do café no terreiro e um período de 90 dias de colheita.

S = 0,02 x Q x t / n

S = 0,02 x (450.000) x 12 / 70

S = 1.200 m²

De acordo com os cálculos, o dimensionamento do terreiro será de 1.200 m².

A secagem completa do café no terreiro poderá onerar muito os custos dependendo do tamanho da produção, porque poderá exigir grande área e mão-de-obra. Por isso, é necessário adaptar e planejar a estrutura de secagem conforme a produção da propriedade.

É importante lembrar que quanto maior o tempo de secagem do café no terreiro, maiores também serão os riscos de deterioração do produto devido às condições climáticas que poderão ocorrer.

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Cochonilha da roseta no cafeeiro: como controlar essa praga?

Publicado em 14 abril, 2025

A cochonilha da roseta do cafeeiro, também denominada como cochonilha branca, compreende um complexo com várias espécies, pertencentes ao gênero Planococcus.

As duas principais espécies são Planococcus citri e Planococcus minor, embora ocorra outras espécies e gêneros associados, como Pseudococcus longispinus. 

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Morfologia da cochonilha da roseta

As cochonilhas do gênero Planococcus, podem ser encontradas na parte aérea e raízes do cafeeiro. As fêmeas são relativamente móveis e medem de 2,5 a 4mm de comprimento. Possuem corpo com formato oval, coloração geral castanho-amarelada, recoberto por uma secreção pulverulenta e cera branca (Figura 1).

Fêmea da cochonilha
Colônia da cochonilha em roseta de cafeeiro arábica

Figura 1- Fêmea da cochonilha P. citri (superior) e colônia da mesma espécie em roseta de cafeeiro arábica. Fotos: Renildo Costa (superior) e Eduardo Mosca (inferior).

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Hábito de vida da cochonilha da roseta

Na estação seca do ano, as cochonilhas alojam-se no solo, onde se alimentam das raízes do cafeeiro ou de plantas daninhas (figura 2). Com o início das chuvas, sobem para a parte aérea das plantas e ficam alojadas nas flores, chumbinho e base dos frutos.

Essas cochonilhas estão relacionadas com a ocorrência de fungos, geralmente do gênero Capnodium, causador da fumagina, fungo escuro que se desenvolve nas excreções açucaradas (honeydew) e também estão associadas com a presença de formigas doceiras, que se alimentam dessa secreção.

ataque das cochonilhas ocorre em reboleiras e sua disseminação ocorre principalmente pelas ninfas, que podem passar de uma planta para a outra, caminhando pelo solo, a curtas distâncias, ou serem levadas pelo vento ou, ainda, disseminadas pelas formigas.

Cochonilhas alojadas no sistema radicular de Bidens pilosa (Picão preto)

Figura 2 – P. citri alojadas no sistema radicular de Bidens pilosa (Picão preto). Foto: Ernani Z. Viana.

Principais danos causados pela cochonilha da roseta

Tanto as ninfas, quanto as fêmeas das cochonilhas P. citri e P. minor sugam a seiva na roseta causando danos, desde a floração até a colheita dos frutos, onde vivem em colônias, sempre em reprodução.

O ataque dessas pragas causa perda de botões florais, chochamento e quedas de chumbinhos, até mesmo de frutos maiores, ocasionando em ataques mais severos a ausência de frutos nas rosetas, o que chama de rosetas banguelas (Figura 3).

Essas cochonilhas tem preferência pela parte aérea, porém descem até o solo e se refugiam nas raízes do cafeeiro na estação seca do ano. 

Danos ocasionados pela cochonilha em cafeeiro arábica

Figura 3- Danos ocasionados pela cochonilha P. citri em cafeeiro arábica (“roseta banguela”). Foto: Eduardo Mosca.

Monitoramento

Deve-se realizar o monitoramento para constatar a presença da praga na roseta ou a sua locomoção das raízes para a parte aérea. Recomenda-se efetuar inspeções com frequência, examinando o colo da planta e as rosetas das plantas, desde os botões florais. Principalmente em lavouras em que houve ocorrência da praga no ano anterior. 

Uma dica importante é observar a presença de formigas doceiras, pois a presença delas é um indicativo de ocorrência da cochonilha. Deve-se iniciar a inspeção pelo terço superior das plantas, quando as primeiras floradas ocorrerem e, posteriormente, em toda a planta.

Como controlar a cochonilha da roseta?

Controle biológico

Beauveria bassiana tem apresentado bons resultados no controle das cochonilhas das rosetas.

A recomendação é realizar 2 aplicações em intervalo de 10 dias. Sendo que as aplicações devem ser realizadas via foliar no início de infestação da praga, trabalhando com volume de calda de 1000 L/ha e adicionar adjuvante (0,05%). 

Controle químico

Para o controle químico existem poucos produtos registrados no MAPA específicos contra as cochonilhas das rosetas (Quadro 1). Para realizar um controle eficiente, é necessário que a pulverização seja capaz de transpor a capa serosa que envolve o corpo do inseto e atingir as colônias dessa praga (figura 4).

Para isso, deve-se realizar um bom molhamento da planta, com aplicação em alta pressão e trabalhar com maior volume de calda (800 a 1000 Lt/ha), sendo indicado também a adição de óleo mineral e adjuvante siliconado na calda. 

Substância lanuginosa branca que envolve as colônias da cochonilha da roseta

Figura 4 – Substância lanuginosa branca que envolve as colônias da cochonilha da roseta. Foto: Ernani Z. Viana

Tabela com os produtos registrados para o controle de Cochonilha-da roseta

Quadro 1- Produtos registrados para o controle de Cochonilha-da roseta – Planococcus minor, não produto registrado para controle de Planococcus citri no cafeeiro.

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Cadeia de suprimentos do café: desvendando os segredos da logística

Publicado em 14 abril, 2025

Entender a cadeia de suprimentos do café é essencial para você, produtor, que busca não apenas cultivar um grão de alta qualidade, mas também garantir o sucesso sustentável do seu negócio.

A logística por trás deste grão não se limita apenas ao transporte físico; ela é o alicerce que sustenta toda a jornada do café, desde o campo até a xícara do consumidor. Cada etapa desta complexa cadeia não apenas influencia a qualidade final do café, mas também desempenha um papel fundamental na eficiência operacional e no sucesso econômico de sua produção.

Neste artigo, abordaremos as fases da cadeia de suprimentos do café, explorando os desafios logísticos enfrentados em cada etapa e como superá-los.

Compreender cada aspecto dessa jornada não só aprimora a qualidade do produto final, mas também fortalece sua capacidade de competir em um mercado globalizado. Venha conosco enquanto desvendamos os segredos por trás da logística do café e seu impacto direto na experiência do consumidor final.

Introdução à cadeia de suprimentos do café

cadeia de suprimentos do café é um sistema complexo que engloba todas as etapas desde a produção nas fazendas até o momento em que a xícara de café chega às mãos dos consumidores.

Cada fase tem um papel importante, e a logística adequada é fundamental para garantir que o café chegue fresco e de alta qualidade ao mercado.

Pessoa servindo uma xícara de café

Fases da cadeia de suprimentos do café

1. Produção nas fazendas

Tudo começa nas fazendas de café, onde os produtores dedicam tempo e esforço para cultivar os grãos. A logística aqui envolve o manejo adequado das plantações, desde o plantio até a colheita.

Os desafios logísticos incluem o transporte de insumos como fertilizantes e defensivos agrícolas, além da aquisição de mão de obra qualificada e da gestão dessa equipe durante serviços como a desbrota, que é realizada manualmente, assim como, em alguns casos, a colheita, é fundamental estabelecer estratégias para otimizar a eficiência e reduzir custos operacionais.

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2. Processamento e beneficiamento

Na colheita, os grãos de café passam pelo processamento e beneficiamento. Nesta fase, os frutos passam por diferentes processos, como a secagem e a remoção da casca e da polpa, resultando no grão como produto final.

A logística aqui envolve o transporte eficiente dos grãos das fazendas para as instalações de beneficiamento, onde são avaliados quanto à qualidade e preparados para o mercado.

3. Armazenagem

A armazenagem é importante para manter a qualidade dos grãos de café antes da exportação ou venda no mercado interno. Os grãos devem ser armazenados em condições adequadas de temperatura e umidade para preservar seu sabor, aroma e estrutura física.

Os desafios logísticos incluem a gestão de estoques e a prevenção da deterioração dos grãos.

4. Exportação e importação

A exportação de café envolve o transporte dos grãos dos países produtores para os mercados consumidores ao redor do mundo.

Este é um dos pontos mais críticos da cadeia de suprimentos do café, pois requer coordenação internacional, cumprimento de regulamentos alfandegários e logística de transporte eficiente. Os desafios incluem questões como custos de frete, documentação alfandegária e gestão de contêineres.

5. Torrefação e moagem

Nos países consumidores, os grãos de café são torrados e moídos antes de chegarem às prateleiras das lojas ou cafeterias. A logística aqui envolve o transporte dos grãos verdes das instalações de armazenamento para as fábricas de torrefação, onde são transformados no produto final.

Os desafios incluem a manutenção da qualidade durante o transporte e o cumprimento das preferências de torra dos consumidores.

6. Distribuição e varejo

Finalmente, os grãos de café chegam aos pontos de venda, seja em supermercados, cafeterias ou online. A logística de distribuição garante que o café esteja disponível onde e quando os consumidores desejarem.

Os desafios logísticos incluem a gestão de estoques nos pontos de venda, a entrega pontual e a garantia de que o produto chegue ao consumidor final em perfeitas condições.

Desafios logísticos na cadeia de suprimentos do café

A cadeia de suprimentos do café enfrenta uma série de desafios que podem impactar desde a qualidade do produto até os custos finais para o consumidor. Alguns dos principais desafios logísticos incluem:

  • Infraestrutura de transporte: Em muitas regiões produtoras, a infraestrutura de transporte pode ser precária, o que dificulta o acesso às fazendas e o transporte dos grãos para os centros de processamento.
  • Flutuações de preço: Os preços do café são voláteis e podem afetar a lucratividade de produtores e exportadores. A logística eficiente pode ajudar a mitigar parte desse impacto, reduzindo custos operacionais.
  • Regulamentações governamentais: Regulamentos alfandegários e fitossanitários variam entre os países, o que pode complicar o processo de exportação e importação de café.
  • Sustentabilidade: A pressão por práticas sustentáveis está crescendo na indústria do café, e a logística ajuda na redução do impacto ambiental da cadeia de suprimentos.

Conclusão

A cadeia de suprimentos do café é um exemplo de como a logística pode influenciar diretamente a qualidade e a viabilidade econômica de um produto. Desde a produção nas fazendas até o momento em que o café chega à xícara do consumidor, cada fase requer planejamento cuidadoso e execução eficiente.

Compreender os desafios logísticos enfrentados ao longo do caminho é essencial para todos os envolvidos na indústria do café. Ao priorizar a logística, os produtores podem não apenas manter a qualidade do café, mas também fortalecer sua posição no mercado global.

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Como aumentar a produtividade do cafeeiro?

Publicado em 14 abril, 2025

Existem diversos fatores que podem transformar a produtividade da sua lavoura de café.

Entre os principais, destacam-se: solo bem corrigido em profundidade, nutrição equilibrada, estande de plantas ideal por hectare, manejo fitossanitário eficiente (controle de pragas, doenças e plantas daninhas), plantas com arquitetura robusta e irrigação adequada.

Descubra como otimizar cada um desses aspectos para obter safras mais abundantes e lucrativas

Construção do perfil do solo

A grande maioria dos solos brasileiros são ácidos e pobres em nutrientes, sendo considerados inadequados para agricultura em seu estado natural.

Por isso, a construção do perfil do solo é de suma importância para alcançar altas produtividades. O solo deve ser manejado para ter boas condições químicas, físicas e biológicas, proporcionando um bom desenvolvimento das raízes, inclusive em subsuperfície.

Calendário agrícola do cafeicultor

Fertilidade química: Correção e adubação

Como mencionado anteriormente, grande parte dos solos brasileiros são naturalmente ácidos e pobres em nutrientes. A correção do pH na maioria das vezes é realizada através da prática da calagem.

calcário diminui a toxicidade de H+, Al3+ e Mn2+, fornece Ca e Mg e melhora a disponibilidade dos nutrientes de forma geral, melhorando assim a eficiência das adubações (Tabela 1).

O calcário possui baixa mobilidade no solo, desta forma sua maior ação acontece na camada arável. Por isso é de suma importância um preparo de solo bem feito, aplicação de doses corretas dos corretivos e uma boa incorporação (profunda) em áreas que serão implantadas.

Em lavouras adultas a correção é realizada em superfície e sem incorporação, mas sempre que possível, deve-se realizar algum tipo de revolvimento (subsolagem de lavouras podadas por exemplo), pois melhora o resultado da calagem.

Estimativa da variação percentual de assimilação dos principais nutrientes pelas plantas em função do pH do solo

Tabela 1. Estimativa da variação percentual de assimilação dos principais nutrientes pelas plantas em função do pH do solo. Fonte: Adaptado por Lopes (1984).

gesso é empregado para melhorar as condições químicas do solo em subsuperfície. Sua solubilidade permite que ele infiltre facilmente no perfil do solo, melhorando o ambiente radicular, através da diminuição da toxicidade causada pelo alumínio e fornecendo cálcio em profundidade.

Dessa forma, o gesso contribui positivamente no desenvolvimento do sistema radicular facilitando a absorção de água e nutrientes em profundidade.

Após correção do solo, o fornecimento adequado dos nutrientes é fundamental para se obter altas produtividades.

A construção da fertilidade química do solo é um processo gradual que requer ajustes contínuos ao longo dos anos para atingir os níveis adequados dos atributos químicos (conforme indicado no Quadro 1). Esses valores podem variar de acordo com o tipo de solo.

Análises de solo e de folhas devem ser realizadas rotineiramente para auxiliar nos ajustes das doses dos nutrientes. Após a construção da fertilidade química, trabalhamos com a reposição dos valores de extração e exportação dos nutrientes, o uso de tabelas de adubações atualizadas é crucial para realização de um bom manejo nutricional.

Atributos da fertilidade de um solo de alto potencial produtivo para o cafeeiro

Quadro 1 – Atributos da fertilidade de um solo de alto potencial produtivo para o cafeeiro (considerando uma CTC entre 6 e 8 Cmolc/dm3). Fonte: Adaptado de Quaggio et al.  (2018) e Carvalho et al.  (2021).

Fertilidade física

As diversas operações realizadas na cultura do café podem ocasionar o adensamento do solo, tendo como origem a passagem contínua de tratores e implementos agrícolas. Esse adensamento varia de acordo com a textura do solo, relevo, plantas de cobertura, etc.

Quando detectado, a subsolagem deve ser realizada para melhorar as condições físicas do solo, quebrando as camadas adensadas, o que facilita o desenvolvimento do sistema radicular, infiltração de água e arejamento nas camadas com problemas.

Por se tratar de uma cultura perene, a implantação da lavoura é uma ótima oportunidade para a realização de um bom preparo de solo, principalmente em profundidade, isso porque, a cultura ficará no campo por muitos anos.

Em lavouras adultas a subsolagem pode ser realizada nas lavouras que serão podadas, a operação normalmente é feita depois da poda, logo no início das primeiras chuvas. Para auxiliar na estruturação do solo, é importante semear alguma planta de cobertura após a subsolagem.

Na tabela 2, podemos observar a influência da subsolagem de um solo compactado na produtividade do cafeeiro. A operação com duas hastes, foi a que proporcionou maior incremento na produtividade média das três primeiras safras após a subsolagem, apresentando um acréscimo de 65%.

Produção do cafeeiro submetido à subsolagem (2009) por número variável de hastes.

Tabela 2 – Produção do cafeeiro submetido à subsolagem (2009) por número variável de hastes. Resultados do primeiro triênio 2010 a 2012, Campo Experimental Izidoro Bronzi, Araguari, MG. Fonte: Fernandes et al. (2012).

Fertilidade biológica

matéria orgânica exerce papel fundamental no solo, sua presença afeta atributos químicos, físicos e biológicos.

Alguns dos benefícios da matéria orgânica são: fornece nutrientes por meio de sua mineralização, redução de toxicidade de alumínio, é o principal componente que contribui para a CTC do solo, estabiliza o pH do solo por meio de sua ação tamponante e melhora a estruturação do solo.

O teor de matéria orgânica no solo resulta do balanço entre a deposição de resíduos orgânicos e sua decomposição.

Todas as práticas que auxiliam a aumentar e/ou manter a matéria orgânica no solo são bem vindas. As práticas mais utilizadas são aplicação de casca de café, esterco, composto orgânico, chegada de cisco, entre outros.

Outra forma de fornecer resíduos orgânicos para as lavouras é por meio de roçadas das plantas de cobertura (Imagem 1).

Manejo da braquiária no cafeeiro

Imagem 1 – Manejo da braquiária: Roçada para a projeção da saia do cafeeiro. Foto: Isaías dos Santos.

Pesquisadores da EMBRAPA observaram que atributos microbiológicos estão correlacionados com a ciclagem de nutrientes e aumento de matéria orgânica no solo. Ou seja, na escala de melhoria de um solo, os atributos microbiológicos são os primeiros a serem impactados.

Mais atividade biológica significa, com o passar do tempo, mais matéria orgânica e, consequentemente, maior estruturação e agregação do solo, o que resulta em melhor infiltração e retenção de água.

Curso Gestão na Produção de Café Arábica

A Tecnologia Embrapa de Bioanálise de Solo (BioAS), consiste na avaliação de dois indicadores relacionados ao funcionamento da maquinaria biológica do solo, que são as enzimas arilsulfatase e β-glicosidase.

Na tabela 3 é possível observar os benefícios da braquiária no sistema de cultivo da soja, melhorando os atributos químicos pelo aumento dos nutrientes e da matéria orgânica.

Note que, na Tabela 4, a atividade das enzimas β-glicosidase e arilsulfatase foram, respectivamente, 4 e 8 vezes superior no manejo com braquiária, quando comparado com o manejo no pousio. Demonstrando que as análises biológicas conseguem representar bem as melhorias.

Propriedades químicas do solo

Tabela 3 – Propriedades químicas do solo, na camada de 0 cm a 10 cm, nos tratamentos com soja/pousio e soja/braquiária. Fonte: Mendes et al.  (2021).

Níveis de atividade da β-glicosidase e da arilsulfatase

Tabela 4 – Níveis de atividade da β-glicosidase e da arilsulfatase na camada de 0 cm a 10 cm nos tratamentos com soja/pousio e soja/braquiária sob SPD. Fonte: Mendes et al.  (2021).

Manejo fitossanitário do cafeeiro

O desenvolvimento do cafeeiro pode ser comprometido por diversas pragas, doenças, fitonematoides e plantas daninhas, resultando em perdas significativas na produção. Portanto, um manejo fitossanitário eficiente é essencial para alcançar altas produtividades.

Os danos são severos quando ocorrem grandes perdas de área foliar, o Bicho Mineiro por exemplo, chega a ocasionar até 50% de desfolha, podendo acarretar em perdas superiores a 30% da produção na safra.

A ferrugem do cafeeiro pode causar até 80% de desfolha (dependendo do manejo e da cultivar) e acarretar perdas de produtividade tanto na safra vigente (se a desfolha acontecer cedo) quanto na safra futura.

As plantas daninhas competem por água, luz e nutrientes com o cafeeiro, quando não controladas de forma eficaz causam redução da produção da lavoura, principalmente em lavouras mais novas, as perdas de produtividade podem chegar em até 40% (Tabela 5).

Perda de produção do cafeeiro em função da época de controle de plantas daninhas

Tabela 5 – Perda da produção do cafeeiro em função da época de controle das plantas daninhas. Fonte: Oliveira et al, citado por Matiello et al, 2020. 

Época de colheita

A época de colheita também impacta na produtividade, colheita realizada tarde pode afetar tanto a produtividade do ano, quanto da safra seguinte.

planejamento de colheita deve ser realizado visando encerrar numa data adequada, essa data varia de região para região. Em regiões que a derriça da árvore se inicia no mês de abril o ideal seria terminá-la no máximo até o final de junho. Já onde se inicia em maio, a data limite seria o final do mês de julho.

De qualquer forma é importante ter em mente que quanto mais cedo terminar a colheita melhor.

Já existem trabalhos demonstrando que quanto mais tarde se realiza a colheita, menor é a produtividade no ano seguinte (tabela 6, gráfico 1). Quanto mais precoce for a colheita menor é o depauperamento das plantas e consequentemente menor a redução da safra seguinte.

Além disso, quando a colheita é realizada muito tarde pode danificar os botões florais ou até mesmo derrubá-los durante a derriça (imagem 2).

Redução da produtividade entre as safras

Tabela 6 – Redução da produtividade entre as safras de 2014 e 2015, em função da época de colheita. Fonte: Santinato, et al. , 2015.

Gráfico 1 – Produtividade da lavoura 2013

Gráfico 1 – Produtividade da lavoura 2013, nas safras 2018 e 2019, em função de três épocas de colheita. Fonte: Adaptado de Bordin, 2020.

Frutos secos e botões florais em cafeeiro

Imagem 2 – Esquerda: frutos secos e botões florais em cafeeiro. Direita: Botões florais no fundo da colhedora de café. Foto: Isaías dos Santos.

Estande de plantas

espaçamento entre ruas, combinado com espaçamento entre plantas, define o estande de plantas/ha da lavoura.

Diversos trabalhos têm demonstrado que o estande de plantas está diretamente relacionado com a produtividade. De forma que, quando se tem poucas plantas por hectare, por mais que a produção seja alta por planta, a produtividade por hectare é baixa, quando comparada com estandes maiores.

Já quando se tem muitas plantas por hectare, mesmo produzindo menos por planta, a produtividade é maior, quando comparada com estandes menores.

Além de melhorar a produtividade, estandes maiores tendem a diminuir a bienalidade da lavoura, ou seja, a produção por planta é menos discrepante de um ano para o outro.

O adensamento pode aumentar a produtividade e diminuir a bienalidade. No entanto, deve ser realizado de forma criteriosa, pois o excesso de plantas pode resultar em competição por água, luz e nutrientes, o que pode, consequentemente, reduzir a produtividade.

Atualmente, busca-se trabalhar com estande de plantas variando de 4 a 6 mil plantas/ha no cultivo mecanizado e de 6 a 10 mil plantas/ha, no cultivo manual.

Cultivares que possuem diâmetro de copa maior, tendem a apresentar resultado melhor de produtividade quando o espaçamento é um pouco mais afastado. Pois, quando plantadas muito próximas pode ocorrer estiolamento, sombreamento do barrado e consequente perda de saia (barrado), no médio/longo prazo, quando não podadas.

Na tabela 7, podemos observar um estudo que avaliou a produtividade em função do espaçamento de duas cultivares ao longo de 9 safras. Ambas foram implantadas com o espaçamento de 3,5m entre ruas e tiveram variações no espaçamento entre plantas, variando de 0,5 a 1m.

A cultivar Catuaí 62, apresenta porte baixo e diâmetro de copa menor, quando comparada com a cultivar Mundo Novo 379/19.

A cultivar de porte baixo apresentou maior produtividade no espaçamento de 0,5m entre plantas em comparação com o espaçamento de 0,75m, apresentando uma redução de 11 Sc/ha.

A cultivar de porte alto, por outro lado, apresentou maior produtividade no espaçamento de 0,75 m entre plantas, com quase 5 Sc/ha a mais em comparação ao espaçamento de 0,5m.

Produtividade, nas 9 primeiras safras, em cafeeiros

Tabela 7 –  Produtividade, nas 9 primeiras safras, em cafeeiros sob efeito de espaçamentos na linha, em 2 variedades. Fonte: Filho et al. (2023).

Na tabela 8, todas as cultivares também apresentaram maior produtividade no espaçamento de 0,5m entre plantas. Com exceção da cultivar Mundo novo 376/4, que apresentou melhor produtividade no espaçamento de 0,7m entre plantas.

Produtividade, nas 4 primeiras safras, em cafeeiros

Tabela 8 – Produtividade, nas 4 primeiras safras, em cafeeiros sob efeito de espaçamentos na linha, em 5 variedades. Fonte: Filho et al. (2023).

Programação de renovação do cafeeiro

É importante sempre buscar renovar as lavouras por meio de algum tipo de poda (Decote, esqueletamento, recepa) ou arranquio e replantio.

A intervenção deve ser realizada antes da lavoura apresentar redução na produtividade, que normalmente acontece quando as plantas ficam sombreadas e começa a perder o barrado (saia). O número de safras desde o plantio até a primeira intervenção varia de acordo com região, tecnologia empregada, espaçamento entre ruas, cultivar, etc.

Buscamos manter o parque cafeeiro das fazendas com uma taxa de renovação anual por volta de 20%. Isso abrange podas das lavouras existentes, plantio e lavouras em formação.

Deve-se tomar cuidado ao postergar as renovações, pois futuramente poderá ter uma área muito grande da propriedade que necessite de algum tipo de renovação.

As podas do tipo decote e esqueletamento podem ser empregadas em lavouras que possuem bom estande de plantas, poucas falhas e plantas com boa arquitetura, em lavouras com as mesmas características e com arquitetura ruim (perdeu muito ramos plagiotrópicos) pode-se adotar a poda do tipo recepa.

Já em lavouras com Estande ruim e/ou com muitas falhas, realiza-se a o arranquio e planta-se uma nova lavoura com estande melhore. É importante ressaltar, que antes de qualquer intervenção deve-se analisar os dados históricos dos números de produtividade das lavouras, pois existem exceções.

Irrigação do cafeeiro

irrigação auxilia no aumento da produtividade em razão da cultura ser prejudicada por déficit hídrico prolongado nos períodos críticos de demanda de água pela planta.

A falta de água no processo de floração prejudica a indução floral, provoca a queda de botões florais e de chumbinhos, já no período de granação dos frutos pode resultar em frutos chochos (imagem 3).

Frutos de café chochos em decorrência de déficit hídrico e altas temperaturas

Imagem 3. Frutos de café chochos em decorrência de déficit hídrico e altas temperaturas. Foto: Isaías dos Santos.

A prática de irrigar vem sendo cada vez mais adotada pelos cafeicultores, mesmo em regiões que são consideradas aptas para o cultivo no sequeiro, como o Sul de Minas Gerais.

Em regiões onde o déficit hídrico é mais acentuado, a resposta do cafeeiro em aumento de produtividade tende a ser maior.

Na tabela 9, contém os resultados de um trabalho em que foi avaliado a produtividade do cafeeiro em função da irrigação, podemos observar que a produtividade média das quatros primeiras safras no cultivo irrigado apresentou 24 sc/ha a mais que o cultivo no sequeiro.

Produtividade da cultivar Topázio

Tabela 9 – Produtividade da cultivar Topázio nas quatro primeiras safras e média do quadriênio, em função da irrigação. Fonte: Adaptado de Bonomo et al.  2008.

Na tabela 10, contém os resultados de um trabalho realizado no município de Lavras – Mg, nele podemos observar que o tratamento irrigado por Pivô central apresentou 45 sc/ha a mais na média do biênio, quando comparado com o tratamento sequeiro.

Produtividade de duas safras e a média do biênio em função da irrigação.

Médias seguidas de mesma letra nas colunas não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste Tukey.

Tabela 10 – Produtividade de duas safras e a média do biênio em função da irrigação. Fonte: Adaptado de Silva et al.  2011.

Alguns trabalhos têm demonstrado que o déficit hídrico no cafeeiro reduz a produtividade, principalmente em regiões que apresentam temperaturas mais altas e déficit hídrico mais acentuado.

Ou seja, manter a planta hidratada durante todo o ano, tende a apresentar melhores resultados em produtividade quando comparado com períodos de déficit hídrico.

No quadro 2, podemos observar os resultados de produtividade quando o cafeeiro foi submetido a diferentes manejos de irrigação, onde foi comparado irrigação durante o ano todo (reposição da evapotranspiração), irrigação sendo interrompida por diferentes intervalos (30, 60, 90, 120, 150, 180 e 240 dias) e o cultivo no sequeiro (sem irrigação).

Note que a irrigação permanente apresentou a maior produtividade média ao longo de seis safras (56 sc/ha), é possível observar também que a falta de água nos meses de setembro a novembro, apresentou produtividade inferior (de 7 a 10 Sc/ha a menos) e quando o déficit hídrico foi acima de 120 dias, ocasionou perdas ainda maiores, variando de 15 a 22 Sc/ha a menos, quando comparados com a irrigação durante todo o ano.

Produtividade média de 6 safras

Médias seguidas de mesma letra nas colunas não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste Tukey.

Quadro 2 – Produtividade média de 6 safras, sob os diferentes tratamentos de irrigação, comparados com a testemunha não irrigada. Fonte: Adaptado de Fernandes et al.  2016.

Considerações finais

Podemos observar que diversos fatores podem interferir na produtividade da lavoura de café.

Focar em apenas um dos fatores pode não resultar em aumento de produtividade, deve-se ter uma visão holística da lavoura e buscar melhorias em todos os fatores possíveis.

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Rodrigo Mira de Oliveira é um empreendedor apaixonado pela inovação no agronegócio. Com mais de uma década de experiência, ele alia conhecimento técnico, visão estratégica e compromisso com a transformação digital no campo. Fundador da Campotech, Rodrigo lidera um projeto que tem como propósito levar soluções em tecnologia digital e equipamentos para automação agrícola, com foco especial na pós-colheita do café e na eficiência operacional das fazendas.

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